Este ano eu não fui um menino muito comedido. Esse ano viajei, brinquei, zoei. distribui sacoladas, refleti bastante, ensinei coisas bacanas, ofendi e repudiei os evangélicos, bati cabeça no prego, desenvolvi muitas coisas boas e interessantes para e com o mundo SL, reconheci pessoas brilhantes (E que, ainda hoje estão brilhando!), desempreguei, adoeci, enlouqueci, mendiguei, deprimi (e doeu!), separei (ou fui separado – e doeu³!), comecei a me tratar, apreendi, mudei até descobrir o que me importa.
O que eu levo desse ano conturbado é a lição de que as coisas não são tão simples quanto parecem, que as entrelinhas importam mais que as linhas, que as pessoas tem o direito de não gostar do que eu faço, mas que a reciproca é verdadeira, que nem todas as pessoas são verdadeiras, que nem todas são tolerantes, estaveis, confiaveis, que familia é a coisa mais interessante: A que você escolhe é a que mais te machuca, e a legada é a que mais te dá dor de cabeça (Mas sempre uma está na posição inversa da outra), que as mulheres não são os seres mais faceis de entender (Diga-se de passagem – é o contrario), que o trabalho engrandece o homem (Mas deixa-o mais magro) e que para tudo isso ai, o responsável é você (E ninguém vai estar na tua pele quando o pau quebrar).
Que mesmo as melhores organizações tem problemas elementares, e que o maior desafio e contorna-las dentro das normas (E acreditem, quanto maior a organização e os ISOS, mais fundos são os problemas, e mais dificil é contorna-los). E que as organizações pequenas são complicadas também, e o mais dificil é parametrizar os problemas – inclusive quando as variaveis envolvendo os processos também são variaveis das pessoas. As organizações grandes permitem que você cresça apartir delas, e as pequenas, com elas – dois caminhos distintos e necessários.
O que eu estou fazendo para agora é criar um jeito melhor de ver o mundo, treinar o policiamento, desenvolver a paciencia e a habilidade de manter a diplomacia – mesmo dentro das guerras, sendo eu mesmo e me mantendo íntegro (¡Hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás!) – a capacidade de ver o que está por tras das coisas, apreender a amar, me tratar – fisicamente e psicologicamente, estudar (não importa o quanto nem os outros, importa fazer). O quanto e em quanto tempo não importam – Isso é meu.
Abro este capítulo no meu livreto como oportunidade para mim e para os que querem ficar proximos. Oportunidade de que? De ter o mesmo sentimento de quando a gente vai dormir no dia 24 de Dezembro, e depois o de ver que aquilo que a gente teve que ter a paciencia de esperar por 8 horas, e sem saber se lá estaria. Nem sempre tem meias grossas para aguentar o peso, mas sim para aguentar a angustia de não ter nada lá dentro. Este ano a meia tá grossa, mas o que será que tem dentro? Papai noel já sabe depois de ler esta carta…
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