Acordei hoje de manhã me lembrando de uma parte estranha do meu passado. Sai de casa com 17, num dia, de uma vez só, a pé, brigado, quase como nos filmes. Mais pra traz havia começado algo que não tinha volta: Ví o mundo. Comecei quando, por uma chance do colégio que estudei, fiz um estagio na CEMIG. Antes disso, eu praticamente não via o mundo. Ia da escola pra casa e de casa pra escola, me matava com o Mandrake e com o Slackware, não conversava com ninguém na escola, exceto as bibliotecárias (A qual uma cheguei a fazer boa amizade quando na 7ma série), não ia a festinhas (Me recordo que uma vez fui convidado, cheguei a ir) e enfim, meu contato com o mundo era esse, e quando tinha uns trocados que minha avó me dava, eu tomava café no meio do caminho (Sempre gostei de andar com café na mão) e sabotava minha dieta. A CEMIG foi caminho sem volta. Passei a ver as pessoas (Eu já sabia o quanto elas podiam ser ruins, só não sabia que podiam ser boas também), e eu me tornei parte de uma bela familia.
Me recordei esta manhã que quando saí de casa, fui morar na casa dos meus avós (Ainda era imaturo pra saber pra onde ir, mas sabia que tinha que ir). Tinha um quartinho improvisado, com uma cama de mola (Nheeec nheeec nheeeeeec) minhas coisas ficavam em cima do sofá e eu ficava no quarto do meu tio quando ele viajava (Me lembro que eu fazia uma força danada pra não mexer em nada. Costumava dar certo). Por vezes eu me sentia só, e imaginava uma jovem deitada do meu lado vendo TV (Sempre gostei de ficar deitado vendo TV, o que não me faz gostar mais de TV, mas só pra ver filmes e jornal). Que coisa…
Não tinha a minima idéia do que era um relacionamento, afinal nunca tinha tido um (E justo no primeiro, fui me apaixonar). Mas sabia que não dava pra ser sozinho no mundo, e tentar encher de porrada quem chegasse perto. Tenho um longo caminho pra trilhar pra me entender, dificil? Talvez. Mas eu já sabia porque é bom ter alguém do lado.
P.s: Tempos difíceis também onde fazia discadão com 33.600 e so conseguia entrar no IRC e ainda tinha q fugir do meu avô pra ele não desconfiar do telefone :]
P.s2: Como é engraçado, acordei com isso na cabeça hoje, escrevi de uma forma tão fluida que até estou assustando.. Como isso acontece sendo que na maior parte do tempo eu não escrevo 2 linhas sem mandar em algum ponto o contexto pra PQP porque perco o “fio da meada”?

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