Já fazem 5 meses e 13 dias que fui embora de casa. Casa? Sim! Aquilo que eu tenho como plano de vida, que inclui as pessoas que mais amo nesse mundo (E que até hoje sinto muito o que aconteceu – e que não acontecerá), que inclui uma vida razoavelmente decente, menino quebrando copo, uma briga, um sorriso, pratos na mesa, beijos de despedida. Passo o dia todo ouvindo as ventoinhas e o barulho do teclado, quando meu som não funciona. Apesar de ter vivido o tempo todo até hoje sem precisar de ninguém – falando em afeto, hoje sei que não nasci pra isso.
É engraçado as pessoas me falarem para desistir, porque se já acabou, acabou, porque quando um não quer, dois não brigam. Errado; simplesmente porque pra mim não acabou. Porque quando um quer, o outro leva porrada até não aguentar ou até o outro parar. Porque nesse caso, querer significa o maior desafio do mundo pra fazer o outro querer também. E isso não é facil.
Infelizmente também sei que corro o risco de nunca mais conseguir voltar ao começo da minha vida, onde descobri que não sou tão alérgico a pessoas quanto eu pensava que fosse, mas estou disposto a pagar esse preço, por mais que eu saiba que talvez não faça mais tanta parte quanto fazem parte de mim.

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