16 mai 2009 @ 13:09 

Minha vida virou de ponta-cabeça fazem mais ou menos 7 anos, desde que comecei a sentir os efeitos da falta de atenção e de concentração, numa história quase carimbada (Fast: 2001:CTI, 2002-2007:Segundo Grau – Supletivo, 2006-2008:Amor da minha vida, 2008-: ?) com muitas perdas.

Eu já sabia que tinha isso fazem mais ou menos 2 anos, mas nenhum tratamento foi o que eu esperava. Depois que o amor da minha vida decidiu que não me quer mais (E se tudo der certo vou reconquistar o amor dela – E mostrar que não sou diferente de quem ela achou que conheceu) eu descobri um lado negro do TDAH: Depressão. É a fase onde voce está tão machucado que você simplesmente acha que não tem solução, onde do nada você lembra do seu passado (Ou o que dá pra lembrar) e pensa “Puta merda… Perdi tudo que sonho e que importo”, pensa na dor maior de perder a compania e o amor de quem você mais ama no mundo – Que chega ao ponto de doer fisicamente mesmo.

Primeiro gostaria de escrever direcionado aos meus atuais familiares:

Minha vida inteira fui taxado de irresponsável, inconsequente, avoado, distraido, teimoso e outros tantos sinonimos particulares. Minha mãe não tem e nem teve conhecimento para entender o que é isso (Ela acha que dá pra mudar pensando positivo – Dá, mas não sem o fisiologico resolvido), e também não posso culpa-la porque não sei como foi minha infancia, e já entrei na consciencia adolescente com a mentalidade do hiperativo). Meu pai, meus tios, avós paternos e cia LTDA também não parecem enxergar com clareza o que é isso (Particularmente meus tios “mais novos”). O TDAH não implica em retardo, isso é claro, mas sim – e mais no meu caso – em impulsividade. Primeiro eu faço, depois eu penso. Não da pra mudar isso sem terapia tanto alopática quando psicologica. Eu espero que eles não aceitem minha situação, mas sim entendam o que está havendo, e me ajudem a mudar isso. (Preciso agradescer particularmente ao meu tio Lauro pelos incendios apagados e pela compania, que por mais que não pareça, fez a diferença em dias conturbados).

Segundo gostaria de escrever aos meus amigos:

Todos sempre me apoiando, claro – nunca dei azar com amizades. Este é o momento de falar o que está acontecendo, e o que vou fazer. Keep reading!

Agora para o amor da minha vida:

Garanto que esta é a parte mais dificil deste email depois da que vem a seguir.

Me recordo bem quando nos “conhecemos”: aos 27 dias de agosto de 2006. Que presente maravilhoso que eu ganhei de aniversário, algo que ninguem podia me dar exceto ela: Vida! Finalmente algo na minha vida que me fazia me sentir vivo e feliz. Me recordo quando voltamos de sete lagoas no dia seguinte, que pedi que ela me deixasse na rua Rio Pomba, no padeco, para pegar meu ônibus de volta pra casa. Lembro-me que ela me deixou num ponto, e que logo que ela sumiu na outra rua, sai correndo de alegria e peguei o onibus no outro quarteirão. Nunca até aquele momento o refrão de Alive fez tanto sentido na minha vida.

Algum tempo depois fui morar com ela, e foi ótimo. Me sentia bem, motivado, feliz. Mas a vida é uma caixinha de surpresas e as coisas devagarinho começaram a ruir, com ponto de partida na escola – que tinha me reprovado. Sem ver (Sempre por impulso, tanto que não fui capaz de enxergar isso tudo a tempo) eu fui me tornando outro, depressivo, desanimado, dependente.

Eu não tinha motivos para ter uma vida infeliz, porque então que eu mudei tanto? Pelo que acabei de descobrir. O impulso foi tão forte que me esqueci no cotidiano o quanto eu amo aquela mulher, quanto amo minha baixinha (Ei Tarsila!!), e nisso sem querer comecei a ser meus impulsos: Rispido, grosso, nervoso, impaciente, insensivel. Este não sou eu. Este é meu impulso; uma parte da minha mente que age pelo aleatório, e na melhor das hipóteses pelos genes também).

Precisou explodir tudo, perder o amor dela para que eu visse que tinha algo errado. Mas só agora, depois do não definitivo, que me deu uma punhalada no coração que não sei se tem remédio é que eu fui realizar de tudo que eu perdi ao longo dos anos. Eu sei que ela mudou muito (E que bom! Por mais que tenha mudado o que ela sente por mim – ou não – ela se achou também), e que ninguém tem que viver no meio da dor, ainda mais quando não é a própria. Eu amo muito essa mulher, sofro muito a falta dela (E o que seria de mim sem os amigos? Sozinho eu tinha ido pro espaço) mas não posso esperar nada dela depois do que a Impulsão fez.

E não sei se posso pedir que ela ame denovo aquele rapaz que renasceu aos 27 dias de agosto de 2006 assim como eu também não posso simplesmente esquece-la (Também conhecido como não dá pra passar por cima dos sentimentos. Só posso esperar que eu tome o controle de mim, e que ela entenda o que está acontecendo – sem preconceito que as pessoas fazem tipo os que disse da minha familia e ciente de que isso é uma coisa que EU não sou – e que ela não tenha deixado de amar aquele garoto inteligente, esperto, independente, simpático, “geek” e muitas outras coisas boas que vive em algum lugar dentro de mim (E uma observação em parenteses – espero que esse garoto a conquiste antes de outro. Porque? Porque ele ama ela mais que tudo, exceto ele mesmo).

Agora falando sobre mim:

Está sendo bastante dificil entender o que está havendo. Eu descobri que tenho problemas com minha auto-imagem (Minto, aumento e as vezes invento coisas que possam defender eu mesmo – Principalmente em coisas cotidianas), e que vou continuar me enganando enquanto não descobrir de verdade o que eu sou e aceitar isso. Muitas vezes, como disse para a mulher da minha vida, eu entro em parafuso – Hoje principalmente pelas perdas que eu sofri como ela e meu sonho de estudar e virar pesquisador. Eu preciso aprender quem eu sou, e não mais a impulsividade que me acomete. Complicado? Demais. Tanto que fico sem saber o que dizer aqui.

Um progresso importante é que com o uso da Ritalina eu não precisei reler esse texto muitas vezes durante sua construção. Claro que escrever sobre meu passado demanda lembrar muita coisa, e eu não estou acostumado a pensar tão bem e tão rapido quanto agora. Mas a Ritalina não é a solução sozinha; é importante também controlar minhas depressões e também aprender a viver denovo.

Existem algumas coisas muito importantes para mim que eu perdi. Eu preciso mesmo correr atras delas – Elas são a razão de eu querer estar aqui. Claro que muitas não virão como eu sonhei (A pesquisa é um exemplo). Mas a primeira coisa que é importante saber é que o tempo está passando, e que tudo vai piorar se eu não fizer nada, então o importante é fazer. Eu peço todos os dias pra mim mesmo que eu consiga fazer isso, tenho um belo plano de fundo cheio de post-its verdinhos que me dizem o que tenho que fazer (Acabo de me recordar de um filme que diz bem o que eu sinto disso: http://www.adorocinema.com.br/filmes/como-se-fosse-a-primeira-vez/como-se-fosse-a-primeira-vez.asp).

Bom, não consigo mais escrever porque as coisas pararam de fluir (O que é normal quando você fala de coisas que não sabe). Mas eu espero deixar claro que neste momento tudo que eu NÃO preciso é intolerancia, desprezo e preconceito. Está muito dificil fazer isso sozinho, já que não posso contar com ninguém do meu lado (Claro que meus amigos me ajudam muito, mas… Ah, vocês entenderam). E em breve eu vou escrever sobre isso denovo, denovo e denovo, sempre refletindo e também para que meus amigos, meu amor, e minha familia saibam que rumo as coisas vão tomar de agora para frente.

Posted By: Leonardo Amaral
Last Edit: 16 mai 2009 @ 13:14

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